Você sabe por que as janelas dos aviões são ovais? A trágica história desse avião vai fazer você entender

25/04/17 às 16h59

Em 7 de abril de 1954, Petter Duffrey era co-piloto da aeronave Havilland Comet G-ALLY, que pousava no Aeroporto de Heathrow, em Londres, Inglaterra. Foi a última parte da viagem agendada pela British Overseas Airways Corporation para o avião de passageiros entre Londres e Joanesburgo.

Cerca de 36 horas depois, com uma nova equipe a bordo, a aeronave decolou na direção de Roma. Quando começou a ganhar altitude e passou por Nápoles, se desintegrou e matou sete tripulantes e 14 passageiros.

Aquele era a segunda explosão de um avião Comet em apenas três meses e ajudaria a mudar o rumo da aviação mundial.

Origem

O primeiro Comet foi produzido num hangar na fábrica de Havilland, em Hatfield, a cerca de 40 km de Londres, em julho de 1949. A produção do avião acontecia a apenas quatro anos do fim da Segunda Guerra Mundial.

Na época, viagens para passageiros eram desconfortáveis e não muito prazerosas. Com cabines despressurizadas e motores extremamente barulhentos, os aviões ainda precisava voar entre os eventos meteorológicos, ao invés de sobre eles. O Comet, por outro lado, parecia vindo diretamente do futuro com sua estrutura reflexiva e asas que apresentavam quatro motores.

Do lado de dentro, havia lugares para 36 passageiros em dois ambientes. Os que estavam na primeira classe se sentavam ao redor de mesas, assim como era comum nos trens. O avião ainda contava com uma grande cozinha, áreas para armazenamento de bagagens e banheiros separados para homens e mulheres.

"É isso que acontece quando você permite que engenheiros façam um avião, ao invés de contadores", explica Alistair Hodgson, curador do Museu da Aviação de de Havilland. "Se você olha para companhias aéreas modernas, cada centímetro do espaço é feito para acumular mais passageiros, mas não é assim que as viagens funcionavam em 1940."

Primeiros problemas

Depois de quase dois anos de voos testes, o Comet fez sua primeira viagem em 2 de maio de 1952, voando por Roma, Beirute, Cartum, Entebbe e Livingstone, até Joanesburgo. O voo durou cerca de 23 horas e foi considerado um sucesso. Os passageiros relataram uma viagem tranquila com serviço acima de média e refeições incríveis.

O Comet foi o primeiro avião comercial com controles de voo hidráulicos, o que significa que ele funcionava de forma semelhante a um freio de carro. Quando o piloto movia a coluna de controle, ativava uma bomba que pulsava fluidos por um circuito capaz de ajustar as asas.

Com velocidades de até 807km/h, os passageiros viviam as viagens de suas vidas. Porém, para aqueles que sentavam nas extremidades, haviam poucos voos sem incidentes. Além desse incômodo, a tripulação começou a perceber outros problemas. Os circuitos elétricos e de navegação tinham uma tendência a se superaquecer e as janelas das cabines poderiam ficar embaçadas. Além disso, o avião só conseguia funcionar por quatro horas antes de precisar de reabastecimento. Mas havia um problema ainda maior com o Comet.

Tragédias e mudança

No verão de 1953, oito Comets deixavam Londres por semana, saindo para Joanesburgo, Tóquio, Singapura e Colombo. O que ninguém sabia que é as janelas do avião seriam o motivo de seu fim.

Duas quedas fatais em 1954 - voo 781, de Roma, e voo 201, para Joanesburgo - mataram 56 pessoas e aconteceram por conta de fraquezas estruturais na fuselagem. O problema era causado pelas tensões causadas nos cantos das janelas quadradas. Os ângulos retos faziam com que a pressão no metal fosse de duas a três vezes maior do que no resto da estrutura.

Depois de algumas investigações, o problema com o metal foi apontado como principal causa para danos na estrutura dos aviões, o que fez com que a de Havilland modificasse o design de suas próximas aeronaves e incluísse janelas ovais, assim como as que conhecemos hoje. Além disso, a companhia desenvolveu uma estrutura mais espessa para os aviões.

"Eu não acho que é muito dizer que o mundo mudou assim que o Comet saiu do chão", declara Tony Fairbrother, engenheiro de aviação moderna.

Foi só em 1997 que o último Comet, uma variação do original, fez o seu último voo. A aviação britânica nunca se recuperou completamente das falhas do modelo e, hoje em dia, a área em que ficava a fábrica de Havilland é um parque industrial. O único Comet completo que ainda existe está exibido no RAF Museum, em Cosford, na Inglaterra.

Já tinha imaginado que tragédias tão grandes poderiam ser responsáveis pelas simples formas das janelas de aviões? O detalhe que pode passar despercebido por muita gente só foi incluído depois que o mundo viveu acidentes inesquecíveis que ajudaram a moldar o futuro. O que achou da revelação?

Via   BBC     Telegraph  
Imagens Telegraph BBC
PH Mota
Jornalista que é um encontro Monty Python e A Praça É Nossa.
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