Por que os padres não podem se casar?

13/09/17 às 16h31

O universo cristão acredita na ideia celibatária de que o padre deve dedicar toda a sua vida apenas à igreja. O casamento portanto não teria espaço dentro dessa missão. Além disso, a crença de que Jesus nunca se casou e de que Maria, a mãe de Deus concebeu seu filho ainda virgem, transformaram o casamento e as implicações sexuais numa espécie de configuração humana, que não cabe dentro destino divino, como deve ser a vocação de um padre.

A igreja se tornou a esposa dos padres. E os fiéis passaram a admirar a castidade e a abnegação de seus representantes diante do púlpito. Mas será que essa "lei" irá perdurar por muito mais tempo?

A verdade é que o celibato se tornou uma tradição católica, mas não há nenhum dogma que impeça ou determine que padres não possam se casar.

Como não se trata portanto de uma lei indiscutível, essa situação poderia mudar. Para tanto, basta que o Papa decida que não existe motivo para prosseguir com a tradição.

O Papa Francisco é conhecido por ser uma figura moderna, atenta as necessidades da fé e da perseveração da igreja católica. Sua visão moderna dá indícios de que essa é uma possibilidade real e de que os fiéis mais conservadores devem abrir suas mentes para essa discussão tão delicada.

Como os cristãos bem sabem, Pedro, o apóstolo de Jesus Cristo e fundador da igreja católica era casado. Assim como outros apóstolos também eram.

Consta no Novo Testamento que o casamento passou a ser uma opção sagrada para aqueles que tivessem problemas para conseguir controlar seus distúrbios e impulsos sexuais. Assim, abdicar do matrimônio e escolher a vida do celibato, seria um esforço para mostrar a Deus o autocontrole e a devoção à igreja e aos fiéis.

Idade Média

Foi durante a Idade Média que a igreja passou a tratar a vocação dos padres como um legado de riqueza e poder. Não ter que dividir esses poderes com possíveis herdeiros, fez com que gradativamente a prática do casamento fosse abandonada progressivamente.

Até o ponto do banimento completo do matrimônio, que se tornou uma tradição exigida pelos fiéis. Para muitos, esse seria um dogma da igreja, o que não é verdade.

"Na igreja Católica, nós temos 2.000 mil anos de história e impossibilidades para muitas pessoas", explicou A. W. Richard Sipe, um sociólogo beneditino que é casado há mais de 43 anos, à revista online LiveScience.

"A maioria das pessoas simplesmente não conseguem levar adiante [essas impossibilidades]," acrescenta.

Implicações

Essa questão delicada dos padres, que aceitam inicialmente a ideia do celibato e depois não conseguem levar adiante a missão, acaba refletindo em casos de padres que desistem da vida da igreja ou até pior. A proibição ferrenha e a contenção dos impulsos levam a situações mais graves como o desenvolvimento de distúrbios sexuais que pré-existiam ou que passam a existir devido à repressão traumática.

Os cristãos de mentes mais abertas que entendem a necessidade dessa mudança também devem estar preparados para novas implicações dessa abolição.

O casamento, bem como a expansão da família, com os filhos, acarreta em mais custos. Como o padre e a igreja vivem basicamente de doações, boa parte desse dinheiro iria para a manutenção dessa novo estilo de vida.

Além disso, o casamento e a criação dos filhos exige um tempo de dedicação muito maior que a vida celibatária. A vida do padre não estaria tão condicionada à igreja, assim como é hoje, integralmente.

Isso tornaria a função um padre em um profissional da igreja? Ou em nada prejudicaria a sua vocação, o dito chamado divino? Cabe aos fieis decidirem se aceitariam ou não essa nova fase da igreja católica.

Você é a favor ou contra a mudança? O celibato é um ato de egoísmo dos fiéis ou de amor dos padres? E quais podem ser as consequências da perpetuação dessa tradição?

O que você pensa sobre isso? Não esqueça de deixar o seu comentário e aproveite também para compartilhar a matéria e ampliar essa discussão tão complicada.

Ana Luiza Andrade
EQUIPE FATOS DESCONHECIDOS, BRASIL
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