Por que a morte de uma orca está mexendo tanto com o mundo?

26/07/17 às 18h55

Na última semana, a última orca nascida em cativeiro dentro do parque SeaWorld, nos Estados Unidos, morreu. Kyara, de apenas três meses, vivia no parque localizado na cidade de San Antonio, Texas, e sofreu com uma série de problemas de saúde que levaram à sua morte.

Kyara é uma das 40 orcas - conhecida como baleia assassina, a espécie é, na verdade, membro da família dos golfinhos - que morreu dentro do SeaWorld até agora. Ela é o quinto mamífero marinho e terceiro filhote a morrer nesse ano nas instalações do parque, que no último ano já havia anunciado que não continuaria a criar orcas em cativeiros.

Há anos, o SeaWorld é alvo de críticas de grupos defensores dos direitos de animais, acusados de manter os animais em cativeiro em condições precárias apenas com o intuito de entretenimento de multidões. As críticas alcançaram ainda mais força em 2013, com o lançamento do documentário Blackfish, que focava especificamente no tratamento de uma orca chamada Tilikum.

De acordo com os treinadores de Kyara, houveram "tentativas incansáveis" de manter a orca viva, mas os problemas de saúde se tornaram cada vez piores, principalmente na semana que antecedeu sua morte. Apesar da causa oficial da morte ainda não ter sido determinada, foi anunciada como uma "infecção, provavelmente pneumonia."

O site Orca Network, explica que a pneumonia bacterial é a principal causa de mortes para orcas e golfinhos mantidos em cativeiro. A orca Tilikum, famosa pelo aparição no documentário e por ter matado o treinador Dawn Brancheau, morreu no início do ano pelo mesmo motivo. Já segundo o SeaWorld of Hurt, mantido pelo grupo PETA, nova orcas morreram de pneumonia desde que o parque foi aberto, em 1971.

A organização do parque declarou que vai divulgar os resultados dos exames realizados no cadáver de Kyara, mas insiste que a pneumonia não se desenvolveu por conta das condições de cativeiro.

Em 2016, o SeaWorld anunciou que não criaria novas orcas no parque. Kyara, no entanto, já havia sido concebida antes do anúncio. Apesar da decisão, os animais do parque não podem ser colocados em ambientes naturais, porque não conseguiriam sobreviver. A organização também insiste que nunca capturou animais selvagens em sua história.

"O SeaWorld apresentou orcas para mais de 400 milhões de turistas e estamos orgulhosas de nossa participação na contribuição para a compreensão desses animais", declarou o presidente do parque, Joel Manby.

Apesar disso o parque luta contra a queda de público nos últimos anos, especialmente desde 2013. Em agosto de 2015, a revista Time declarou que o SeaWorld viu uma queda de 84% nos lucros do segundo trimestre, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Os números continuam a cair, mas o parque insiste que tem a ver com datas, clima e outros fatores diversos.

Com a morte de Kyara, o SeaWorld ainda tem 22 orcas mantidas em todos os seus parques. Com a morte do animal, o mais novo agora é Amaya, que nasceu em dezembro de 2014.

As orcas recentes vão continuar vivendo nas instalações dos parques até o fim de suas vidas, mas as atrações envolvendo os animais devem mudar. Os shows com Shame de SanDiego, por exemplo, já acabaram. Em San Antonio e Orlando, eles estão previstos para continuar até 2019.

O plano do parque, agora, é introduzir "encontros naturais" para os visitantes, ao invés dos shows tradicionais com truques. De acordo com a companhia, a ideia é focar em educar os turistas em novos ambientes e áreas de observação.

Uma ação em Paris (França) que visa alertar o mundo sobre os impactos no meio ambiente e na vida de animais, como as baleias, chocou o mundo na mesma semana da morte de Kyara.

Apesar da repercussão e da imagem chocante, a baleia não é verdadeira. A criatura faz parte de uma proposta do coletivo Captain Boomer, da Béliga, que contratou até mesmo atores que simulavam agentes analisando o cadáver da baleia.

A intenção dos belgas era chamar atenção para causas do meio ambiente ep roteção de animais. Depois de Paris, eles esperam levar a exposição para outras capitais do mundo.

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PH Mota
Jornalista que é um encontro Monty Python e A Praça É Nossa.
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