Este raro morcego foi encontrado no Brasil e é apenas o terceiro do mundo desse tipo

13/09/17 às 16h27

O corpo de um raro morcego de duas cabeças foi encontrado aqui mesmo no Brasil, e esses restos mortais deram aos cientistas uma visão mais próxima de algo que só havia sido registrado duas vezes. Quando Marcelo Rodriguez Nogueira, um pesquisador pós-doutorado em biologia da Universidade Estadual do Norte Fluminense, encontrou os gêmeos, ele escreveu um e-mail para o site Live Science. Segundo ele: "Eu já manipulei muitos morcegos, alguns com características morfológicas impressionantes, mas nenhum foi tão surpreendente quanto esses gêmeos."

Só dois pares de morcegos gêmeos unidos tinha sido relatados na literatura científica, um em 1969 e outro no ano de 2015. Mesmo que ainda não se sabe o que faz esses morcegos gêmeos nascerem unidos, o fenômeno é conhecido por ocorrer quando um ovo fertilizado se divide muito tarde. Se um ovo se  separa quatro a cinco dias após a fertilização, formam-se dois gêmeos idênticos separados. Porém, se a divisão não acontecer em até 13 a 15 dias após a fertilização, o ovo fertilizado se separa parcialmente e os gêmeos nascem unidos.

Os especialistas tomaram conhecimento da existência desses morcegos depois que os animais foram encaminhados ao Laboratório de Mastozoologia da Universidade Estadual do Norte do Rio de Janeiro. Ninguém da equipe de Marcelo, que inclui os embriólogos Nadja Lima Pinheiro e Adriana Ventura, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, viu os gêmeos no instante em que foram encontrados, e por isso que os cientistas não estão certos se os gêmeos sobreviveram ou se morreram logo depois de nascer.

Os morcegos foram encontrados em baixo de uma mangueira em 2001, são gêmeos siameses do tipo dicefálicos parapagos, o que indica que estão orientados lado a lado com seus troncos inteiros unidos. Os raios-X dos morcegos indicaram que as espinhas dos gêmeos tem o formato de um "Y", com duas colunas vertebrais separadas, mas se ramificando na parte inferior das costas. As imagens de ultrassom também revelaram dois corações de igual tamanho que os pesquisadores suspeitam estar separados.

A maioria dos morcegos tem apenas um filhote por ninhada, e por isso é raro encontrar morcegos gêmeos não siameses. Durante os 5 anos que Daniel Urban (associado da pesquisa de pós-doutorado em biologia evolutiva do desenvolvimento na Universidade de Illinois, em Urbana-Champaign) estudou morcegos, ele só viu um filhote filhote voando a redor de sua mãe. Daniel foi o principal autor de um estudo de 2015 sobre morcegos siameses, publicado na revista Acta Chiropterologica.

Pode até ser difícil encontrar gêmeos de morcegos siameses, mas isso não quer dizer que seja mais raro entre os morcegos do que em outros mamíferos. Scott Pedersen (professor de biologia e microbiologia da South Dakota State University), que não estava envolvido no estudo, afirma o seguinte: "Só quer dizer que os humanos descobriram morcegos siameses com menos frequência do que viram isso em outros animais".

Mesmo que um morcego desses sobreviva ao nascimento, é bem provável que eles morram logo depois, pois seus corpos não conseguem sustentar, afirma Pedersen. Os morcegos geralmente vivem em lugares onde não tem humanos, o que significa que se uma pessoa quiser encontrar um morcego siames, ela terá de encontrar antes que os organismos dos animais se degradem.

Ainda mais quando lembramos que os morcegos tem hábitos noturnos. Se os morcegos siameses nascerem de dia, isso provavelmente acontece em um ambiente seguro para a mãe e sua ninhada, o que indica que as pessoas não o veriam. Ela pode dar a luz ao ar livre, mas isso acontece apenas durante a noite, quando os gêmeos ficam escondidos pela escuridão, afirma Urban.

Mesmo que pouco se sabe sobre os órgãos dos morcegos siameses recentemente descobertos, os pesquisadores escolheram não usar métodos invasivos para investigar os corpos dos animais. " tão raro e precioso encontrar algo assim que não se pode fazer nenhum tipo de amostragem destrutiva para obter um olhar mais detalhado. Estamos, é claro, muito curiosos sobre isso, mas pode haver apenas uma chance para observá-los sem danificar nada em sua estrutura. Então, pela pesquisa, eles serão guardados por um tempo, até o momento em que uma tecnologia mais nova nos permita prosseguir ainda mais sem danificar completamente o que já temos", afirma Urban.

Mas e aí, vocês tinham ideia de que poderia existir um morcego de duas cabeças? Comentem!

Via   Live Science  
Mateus Graff
EQUIPE FATOS DESCONHECIDOS, BRASIL
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