Eles despejaram cascas de laranja em área desmatada e 16 anos depois ninguém acreditou no que encontrou

07/09/17 às 10h23

Apesar de descartadas na maioria das vezes, as cascas de frutas e vegetais são carregadas de nutrientes que nossos corpos podem aproveitar. Com isso em mente, dois ecologistas, Winnie Hallwachs e Daniel Janzen, tiveram um forte palpite que poderia indicar que as cascas também poderiam beneficiar o solo.

Assim, em 1997, os dois fizeram uma proposta que os levaria a uma descoberta impressionante.

Os ecologistas visitaram uma companhia de suco de laranja da Costa Rica e pediram a doação de um trecho de terra da floresta local para a Área de Conservación Guanacaste. Em troda disso, eles poderiam despejar todas as cacas e bagaços na área sem nenhum custo extra para isso.

O acordo foi fechado e os ecologistas tiveram acesso a uma área florestal de altamente devastada e desmatada. Desde o acordo, toneladas de cascas e bagaço de laranja passaram a ser despejados ali.

Desde então, os ecologistas deixaram a terra abandonada, mas fizeram uma marcação no local para ter certeza que conseguiriam encontrá-la depois. Por mais de dez anos, o "lixão de laranjas" ficou esquecido até que, 16 anos depois, Janzen enviou um de seus estudantes, Timothy Treuer, para visitar a área.

O estudante recebeu instruções de como encontrar o local marcado por uma placa, mas não conseguiu, mesmo depois de entrar em contato com Janzen várias vezes. Só depois de muito buscar, Treuer percebeu que já estava no local correto, mas não tinha percebido isso por conta da mudança radical no terreno.

Quando Treuer e o resto da equipe perceberam que estavam no lugar certo, eles ficaram completamente chocados. "Não se parecia mais nada com a área ao redor."

Treuer explicou que a diferença era como comparar "o dia e a noite... Era difícil acreditar que a única diferença entre as duas áreas era uma porção de cascas de laranja. Parecia, dois ecossistemas completamente diferentes."

Graças ao despejo de cascas e bagaços no local, a terra ficou muito mais rica e variada. "A vegetação estava incrivelmente forte." Na verdade, as plantas da região cresceram tanto, que criaram uma dificuldade imensa de identificar as sinalizações que marcavam o local correto.

Depois disso, Treuer e a equipe da Universidade de Princeton passaram três anos estudando o novo terreno e ficaram impressionados com o que conseguiram descobrir. A terra sem cascas de laranja possua "apenas uma espécie de árvore. Já no lado com cascas descartadas, haviam mais de duas dúzias de espécies de vegetação."

"Você poderia ter 20 pessoas subindo em uma dessas árvores de uma vez e ela suportaria o peso sem problemas... Aquilo era gigante", escreveu o co-autor do estudo, que provou mais de um fato importante sobre as cascas de laranjas.

A pesquisa concluiu que "o crescimento de uma floresta secundária, que cresce depois que a primeira é derrubada, é crucial para desacelerar mudanças climáticas. Isso foi uma descoberta revolucionária. Eles perceberam que novas florestas absorvem e armazenam carbono na atmosfera em até 11 vezes mais do que uma floresta antiga."

Agora, Treuer quer ver a transformação sendo reproduzida ao redor de todo o mundo. "Se nós pudermos replicar o experimento em todo o mundo, poderia ajudar a recuperação da atmosfera global."

Atualmente, só nos Estados Unidos, metade da produção é descartada em aterros sanitários. Com a adoção da ideia proposta pela pesquisa, o país poderia ajudar a recuperar áreas desmatadas em toda a sua extensão.

"Nós não queremos que as companhias saiam por aí apenas jogando seu lixo por todos os lugares", explica Treuer. "Mas se isso é orientado cientificamente e especialistas estão envolvidos, é algo que eu acredito que tem um potencial realmente grande."

O experimento só prova, mais uma vez, a importância de reciclar e reaproveitar o lixo de formas úteis. Quando isso for feito de maneira consciente em todo o mundo, o planeta e as gerações futuras irão agradecer.

Via   Guff  
Imagens Guff
PH Mota
Jornalista que é um encontro Monty Python e A Praça É Nossa.
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