Conheça a história do primeiro bebê do mundo nascido de três pais

13/09/17 às 15h19

Um bebê que já está com cinco meses de idade foi o primeiro da história a nascer com três pais. Por meio de uma técnica especial, médicos conseguiram utilizar o DNA de três pais diferentes para conseguir evitar que uma condição genética mortal da mãe fosse passada para a criança.

A técnica foi legalizada pela primeira vez na história no Reino Unido, possibilitando que pais com mutações raras tenham filhos saudáveis. Os médicos dos Estados Unidos se aproveitaram de brechas na legalização ao sul do país, na fronteira com o México, para fazer o procedimento, ainda que ele seja considerado bem controverso.

Essa foi a primeira vez que a técnica foi utilizada para impedir a transmissão da síndrome de Leigh para crianças. O problema é causado por defeitos nos genes das mitocôndrias e, como esse DNA só é passado por mulheres, essa é a única forma que permite o nascimento de crianças saudáveis.

Métodos

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No caso em questão, apesar da mãe da criança ser saudável, cerca de um quarto de suas mitocôndrias carregam genes que geram a síndrome. Por conta disso, depois de 20 anos tentando ter um filho, as duas crianças que ela conseguiu gerar morreram vítimas da condição.

Por meio da técnica aprovada no Reino Unido, chamada de transferência pronuclear, é possível fertilizar o óvulo da mãe e de uma doadora com os espermatozoides do pai. Antes dos óvulos fertilizados começarem a se dividir na forma de embrião, os pesquisadores substituem o núcleo do óvulo da doadora com o da mãe. Dessa forma, é possível gerar um óvulo fertilizado com mitocôndrias saudáveis, mas com o DNA da mãe no núcleo.

Controvérsia

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No entanto, os pais da criança geradas são naturais da Jordânia e de religião muçulmana, o que gerou algumas questões éticas em relação ao desenvolvimento do zigoto. Por causa disso, o médico John Zhang precisou utilizar uma diferente abordagem na técnica, conhecida como transferência nuclear. Basicamente o processo funciona da mesma forma, mas a transferência de núcleo é realizada antes da fertilização dos óvulos.

A operação desenvolveu cinco embriões, mas apenas um se desenvolveu de forma saudável. O óvulo fertilizado foi implantado na mãe e a gravidez foi um sucesso. O bebê já está com cinco meses de idade e aparenta ter um desenvolvimento normal, sem nenhum sinal da síndrome de Leigh.

Apesar disso, ainda existe preocupação por vários grupos de cientistas em relação ao procedimento, com as suposições de que ele possa gerar problemas de saúde para a criança no futuro. Até agora, menos de 1% da mitocôndria do garoto carrega sinais da mutação, o que não parece afetar em nada o seu desenvolvimento.

Monitoramento

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De acordo com Bert Smeets, da Universidade de Maastricht na Holanda, que não participou da pesquisa, a criança precisa ser monitorada de perto e a técnica precisa ser testada com mais rigor antes de poder ser classificada como segura. "É preciso aguardar novos nascimentos dessa maneira para podermos julgá-los com cautela", explica.

Esse é o primeiro bebê nascido com a nova técnica que permite o DNA de três mais. No entanto, já existiu um método utilizado no fim dos anos 90, nos Estados Unidos, que gerou algumas crianças com três pais. De acordo com Michael Le Page, repórter da New Scientist, cerca de 17 pessoas nos EUA já podem ter nascidos por meio da doação de mitocôndria. A técnica era foi utilizada de 1997 a 2002, até que o governo do país colocou fim ao processo, já que alguns dos bebês desenvolveram problemas genéticos.

A técnica utilizada por Zhang ainda não foi publicada e deve ser explicada com detalhes em outubro, no Congresso Científico da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva. Mesmo após a apresentação, somente o tempo poderá dizer se o procedimento poderá realmente ajudar mães com problemas genéticos a gerar crianças saudáveis.

PH Mota
Jornalista que é um encontro Monty Python e A Praça É Nossa.
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