O homem que veio em busca da cidade perdida e sumiu sem deixar rastro

12/04/17 às 16h38

Existem lendas de uma cidade perdida repleta de ouro que atraiu caçadores de tesouros na Amazônia por séculos. O mito surgiu ainda durante o século 16, quando os colonizadores recém chegados na América Latina ouviam histórias de um líder tribal tão rico que usava o ouro para banhar o próprio corpo e fazer oferendas aos deuses.

Com o tempo, a lenda do El Dorado ganhou várias versões, passando de um simples líder repleto de ouro a todo um reino carregado com riquezas. Vários exploradores europeus visitaram a região em busca da cidade perdida. Depois de séculos de busca sem nenhum resultado, El Dorado acabou se tornando uma lenda relatada em várias obras da ficção, até que o explorar Percy Fawcett apareceu.

Depois de uma carreira no exército britânico, Fawcett liderou uma série de expedições em áreas não exploradas da América do Sul, inspirando até mesmo a história O Mundo Perdido, de Sir Arthur Conan Doyle (famoso pela autoria das histórias de Sherlock Holmes). Com o tempo, Fawcett desenvolveu a teoria de que a a cidade perdida no Brasil existia, mas não se tratava de El Dorado, e sim da cidade perdida que ele chamou apenas de Z.

A maioria dos experts da Era Vitoriana acreditava que a Amazônia era muito inóspita para conter uma grande civilização, mas, anos depois, a experiência pessoal de Fawcett fazia com que ele tivesse outra crença. Ele foi convencido por nativos que era possível manter uma comunidade isolada na floresta. A partir daí, ele realizou estudos e chegou ao conhecimento de uma cidade antiga na região do Mato Grosso, que ele tinha certeza que poderia encontrar.

Por volta da década de 1920, Fawcett dedicou os esforços a encontrar a Cidade Perdida de Z. Apesar das comparações, ele defendia que El Dorado era apenas uma lenda romantizada, enquanto a teoria da Cidade Z era baseada em evidências arqueológicas que ele havia encontrado a partir de suas pesquisas.

Depois de duas expedições, em 1920 e 1921, ele realizou uma terceira tentativa, que acabou se tornando a mais famosa que realizou em busca da Cidade de Z. Em 1925, Fawcett conseguiu angariar fundos com duas importantes organizações a Royal Geographical Society, do Reino Unido, e o Museum of the American Indian, dos Estados Unidos. Com patrocínio, partiu num navio com seu filho Jack, o melhor amigo do jovem, Raleigh Rimell, e uma grande equipe.

Na época, os jornais de todo o mundo noticiaram a expedição de Fawcett. Confiante, ele declarava que iria retornar com as respostas que buscava, mas fez um alerta. Caso acontecesse algo de errado e o grupo não retornasse, ninguém deveria buscá-los para não ter o mesmo destino.

Com a ajuda de dois nativos, a equipe de Fawcett entrou na floresta em 20 de abril de 1925. Ali, eles precisaram enfrentar calor infernal, parasitas que sugavam sangues e relações hostis com nativos não muto amigáveis. Mesmo nas duras condições, o grupo conseguia caminhar cerca de 16 a 24 km por dia até que conseguiram alcançar um ponto já conhecido por Fawcett. A partir do marco, Fawcett e seus dois parceiros iriam continuar sozinhos.

Dois anos depois da partida do trio, nenhuma informação era ouvida do paradeiro dos exploradores e as pessoas já temiam o pior. Foi quando a Royal Geographical Society decidiu organizar uma expedição para encontrar Fawcett, ainda que a sua recomendação tivesse sido diferente. O líder, George Miller Dyot, cancelou a expedição depois de concluir que seria impossível sobreviver naqueles ambientes por tanto tempo.

Porém, como ele não apresentou nenhuma evidência para a morte de Fawcett, novas expedições foram realizadas para tentar encontrar o grupo. Ao longo de 90 anos, mais de 100 funcionários de resgate morreram tentando encontrar o grupo.

Depois de tanto tempo, várias teorias surgiram sobre o resultado da expedição. Alguns acreditam que Fawcett e seus parceiros foram vítimas de predadoras locais ou de doenças como a malária, enquanto teorias publicadas na Popular Science, em 1928, defendiam que ele estava vivendo como um líder entre nativos.

De todos os grupos que foram até a região para tentar resgatar Fawcett, David Grann pode ter sido o que chegou mais perto de encontrar respostas, em 2005. Ao tentar reproduzir os passos do explorador por dentro da floresta, Grann encontrou índios Kalapalo, que compartilhara uma história contada por seus ancestrais por décadas. Segundo as histórias, Fawcett e seus parceiros ficaram com a tribo por um tempo e, antes de sair, foram alertados que índios hostis viviam na mesma região. O grupo, porém, ignorou o aviso e seguiu viagem confiante. Os Kalapapalos teriam visto o grupo disparando suas armas na primeira noite depois que saíram, mas logo isso parou.

Se o destino de Fawcett deve ter sido a morte por índios hostis, o que podemos falar sobre a Cidade Perdida de Z? Recentemente, o arqueólogo Michael Heckenberger descobriu os destroços de cerca de 20 comunidades pré-Colombianas, sendo que algumas delas são tão granges como algumas cidades medievais. Infelizmente, ainda é impossível saber se Fawcett conseguiu encontrar algumas dessas ruínas em vida.

PH Mota
EQUIPE FATOS DESCONHECIDOS, BRASIL
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