Já imaginou se cobras tivessem patas? Parece que essa era uma realidade há algum tempo

03/07/17 às 17h38

Desde o ano de 2015 o Brasil é palco de uma disputa paleontológica por causa de um fóssil muito especial: uma cobra com quatro patas. Os cientistas explicam que cobras com duas patas traseiras já eram conhecidas no meio acadêmico, mas que com quatro (dianteiras e traseiras), permanece sendo algo inédito e único no mundo, sendo o material de extrema relevância para o estudo evolutivo dos répteis. Mas onde está esse fóssil agora e porquê os cientistas até hoje brigam por ele?

O conflito entre os estudiosos se deve porque o fóssil foi encontrado na Chapada do Araripe, na divisa entre o Ceará, Pernambuco e o Piauí, e até hoje ninguém sabe porque ou como o fóssil, que está em perfeito estado de conservação, foi parar na mão de cientistas europeus e hoje encontra-se na Alemanha.

A imagem abaixo sugere a reprodução de como seria o animal quando vivo.

Conflitos científicos

Hussam Zaher, o herpetólogo (especialista em répteis) do Museu de Zoologia da USP questiona desde então, não só a ilegalidade do estudo europeu, mas também o ponto de vista científico adotado por eles. Zaher, na época, em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo disse que "não há nenhuma evidência irrefutável de que esse bicho seja uma cobra" e ele acreditava que o animal trata-se de um "lagarto serpentiforme" e não propriamente, uma cobra.

"Está muito mais para lagarto do que cobra," diz Zaher.

Para os pesquisadores da revista Science, a dúvida também é plausível. E há divergências entre os estudiosos do que seria de fato, o fóssil. No artigo da Science sobre a polêmica, o membro da Universidade de Portsmouth (Reino Unido), David Martill, tenta explicar que o animal "é meio que uma cobra-lagarto, porque tem patas. Mas é mais cobra do que lagarto".

Já na Universidade de Bath (Inglaterra), um dos autores do estudo, Nicholas Longrich, esclarece que apesar da idade do fóssil não é possível afirmar que essa seja a primeira cobra, o ancestral direto de todas as outras, mas que provavelmente essa espécime esteja bem próxima disso. E ele ainda esquenta o conflito afirmando que o animal "é uma cobra com toda certeza".

Abaixo você confere o fóssil brasileiro.

O fóssil

Especula-se que o fóssil tenha vivido há mais de 120 milhões de anos atrás. A espécie encontrada possui 19,5 centímetros e o nome escolhido para o seu batizado foi Tetrapodophis amplectus.

As patas traseiras eram maiores que as dianteiras e acredita-se que as patas da frente não eram utilizadas para a locomoção, mas sim para segurar e deter suas presas enquanto as devorava. Outro ponto espantoso é que o animal não só tinha patas como dedos para agarrar melhor. O estado conservativo do fóssil é tão impressionante que é possível ver inclusive outro fóssil no estômago do animal, o que permitiu concluir que a cobra já era carnívora.

Uma das principais teorias sobre o Tetrapodophis é que as cobras evoluíram da linhagem dos lagartos e portanto ao longo do tempo, foram perdendo suas patas, gradativamente.

Novas pesquisas paralelas dão sequência a investigação do mistério por trás das patas em cobras. No Laboratório Nacional de Lawrence Berkeley, nos Estados Unidos, os cientistas Len Pennacchio e Axel Visel realizaram mudanças no código genético de ratos, mudando a sequência ZRS (Zona de Atividade Polarizada) que é responsável pela formação dos membros superiores e inferiores, não só nos corpos dos animais, como também nos seres humanos.

A surpresa na investigação é que anteriormente pensava-se que as cobras eram desprovidas desse genoma, mas elas não só o possuem, como esse código atua nelas de modo diferente de todas as outras espécies.

É como se ao longo de milhões de anos as características não tivessem se perdido durante o processo evolutivo. O código das patas está ali, elas apenas não se desenvolvem mais porque não existe a necessidade desses membros.

O experimento nos ratos mostrou que a desativação do ZRS, assim como aconteceu nas cobras, foi o que contribuiu para a perda das patas.

Alguns estudiosos bíblicos estão usando da teoria científica para corroborar os textos da origem da criação, segundo Moisés. Quando a serpente que tinha "patas" ou "asas" foi condenada por Deus a rastejar para sempre depois de persuadir Adão e Eva a pecar.

Gênesis 3:14: "Por causa do que você fez você será castigada. Entre todos os animais só você receberá esta maldição: de hoje em diante você vai andar se arrastando pelo chão e vai comer o pó da terra."

Um ditado diz o contrário, segundo a sabedoria popular: "Deus não dá asa a cobra".

Teorias e contradições à parte, a evolução é impressionante e a ciência continua mudando cotidianamente tudo que pensávamos até então. Uma imagem de uma cobra com quatro patas que antes era impossível, agora é realidade e até motivo de discussão.

E você, já sabia sobre as cobras de quatro patas? Qual lado das teorias você mais concorda? Deixe sua opinião sobre esse fóssil originalmente brasileiro que viveu aqui há 120 milhões de anos atrás.

Ana Luiza Andrade
EQUIPE FATOS DESCONHECIDOS, BRASIL
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